| Yhteenveto: | Vanderlei Bagnato é um daqueles raros cientistas que se empenha tanto em realizar estudos de ciência básica, como de pesquisas aplicadas. No caso dele, isso significa pesquisar desde a física pura de átomos e luz, até aplicações diretas que podem trazer melhorias para a sociedade. Esta amplitude de conhecimentos, de dedicação à ciência, em conjunto com sua personalidade simples, cheia de energia e de participação social, contribuem para que ele seja atualmente um dos cientistas brasileiros mais renomados.
Nascido em 28 de setembro de 1958, em São Carlos, interior de São Paulo, Vanderlei Salvador Bagnato é filho de Walter e Antonia Italiano Bagnato, descendentes de imigrantes italianos. Durante a sua infância e juventude, gostava de andar pelas ruas da cidade com sua bicicleta, uma bola debaixo dos braços, e de nadar com os amigos na piscina municipal (Bagnato, 2022; Chicrala, 2022).
Desde cedo demonstrou interesse pela ciência. Vanderlei se encantava ao ver os processos físicos e químicos realizados por seu pai, na oficina no fundo de casa, enquanto praticava galvanoplastia - procedimento que reveste um objeto metálico com uma fina camada de outro metal, através de um método eletroquímico (AmbiScience,s/d). Naquela época ele também gostava de se desafiar, desmontando e montando diferentes objetos eletrônicos (Bagnato, 2015, 2022).
Este espírito curioso de Vanderlei o levou a participar, com treze anos de idade, de encontros de jovens cientistas promovidos pelo Funbec/Ibec e pela Unesco. Logo que terminou o ensino médio, decidiu ingressar em um curso superior e se tornar cientista. No início estava em dúvida, se preferia cursar Física ou Engenharia de Materiais. Por este motivo, resolveu prestar vestibular nas duas universidades públicas da cidade e realizou os dois cursos simultaneamente, algo que naquela época era permitido (Bagnato, 2022, 2025a,b; Chicrala, 2022).
Assim, em 1977, iniciou o curso de Física na Universidade de São Paulo (USP) e de Engenharia de Materiais na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), concluindo ambos os cursos em 1981. Logo após terminar a graduação em física, ingressou no mestrado, no Instituto de Física da USP (IFSC), pesquisando propriedades ópticas de cristais inorgânicos. Nesta mesma época, foi convidado para ser professor do IFSC (Bagnato, 2022; 2025a; ABC, s/d).
Foi também nesta etapa de sua vida que Vanderlei se casou com Silvia Mara Firmino, com quem namorava desde os 15 anos de idade e para quem dedica sua trajetória e premiações. Após concluir o mestrado, iniciou seu doutorado nos Estados Unidos (<i>Massachusetts Institute of Technology - MIT</i>), sob orientação de David E. Pritchard. Sua pesquisa foi pioneira, sendo a primeira tese publicada sobre o tema “resfriamento e aprisionamento de átomos”. Durante esse período, compartilhou o ambiente de trabalho com pesquisadores que, tempos depois, foram premiados com o Nobel de Física, como Eric Allin Cornell, Wolfgang Ketterle e William Daniel Phillips (Bagnato, 2022, 2025 a,c; Chicrala, 2022).
Retornando ao Brasil, em 1988, Vanderlei montou seu laboratório no IFSC, conduzindo pesquisas em átomos frios e condensação de Bose-Einstein. Átomos frios são átomos que são mantidos em temperaturas próximas a 0 kelvin (zero absoluto), situação na qual se pode estudar as propriedades da mecânica quântica do átomo. Por sua vez, o condensado de Bose-Einstein é a fase da matéria formada por bósons, quando a temperatura fica muito próxima do zero absoluto. Além de montar este laboratório, Vanderlei liderou a construção do primeiro relógio atômico da América Latina, o que lhe rendeu o Prêmio Nacional de Metrologia (Fapesp, 1996; ABC, 201?; Chicrala, 2022; Condensado de Bose-Einstein, 2025).
Contudo, o professor Vanderlei Bagnato não se ateve apenas aos estudos de física atômica e, pouco depois, ampliou o tema de pesquisa incluindo a biofotônica. A biofotônica é uma área interdisciplinar que combina a biologia e a física, buscando investigar a interação entre os sistemas biológicos e a luz. Ela envolve o uso de tecnologias ópticas avançadas para estudar e manipular processos biológicos em níveis moleculares e celulares. Vanderlei descreve a complementariedade de se estudar a física atômica e a biofotônica, dizendo que através da física atômica, ele pode observar a interação dos átomos entre si e a forma como as moléculas “conversam” entre elas. Já com a biofotônica, é possível utilizar a luz para investigar, interagir e até interferir em átomos e moléculas (Barbaresco, 2025; Bagnato, 2015, 2025c; Biofotônica, 2025; Sintra, Geraldo, 2024).
Utilizando estes ramos de investigação, Vanderlei escolheu dar atenção a áreas desafiadoras, tais como: câncer, infecções e doenças crônicas associadas à dor (como o mal de Parkinson, diabetes, fibromialgia e artrose). Atualmente, estes conhecimentos vêm sendo aplicados em diferentes tratamentos que podem, por vezes, curar, ou auxiliar na reabilitação e minimização de efeitos graves, proporcionando bem-estar para diversas pessoas. A partir de seus conhecimentos e, vendo a necessidade de aplicação social, Bagnato uniu mais uma vez a formação de físico a de engenheiro de materiais para desenvolver mais de 50 produtos, além de iniciar um parque empresarial com mais de 40 empresas em São Carlos (ABC, s/d; Bagnato, 2025b,c; G1, 2021).
Com estas pesquisas, atualmente, Vanderlei Bagnato é reconhecido como sendo um dos principais cientistas nas áreas de Física Atômica e Biofotônica. Academicamente, ele já publicou mais de 1.000 artigos, orientou mais de 150 teses de mestrado e doutorado e supervisionou mais de 80 pesquisadores de pós-doutorado. Os reconhecimentos da contribuição dele para a ciência têm sido expressos através de premiações, bem como de convites de participação em diferentes academias científicas (Bagnato, 2025a,b; G1, 2021).
Ao longo dos anos, Vanderlei Bagnato recebeu mais de cem premiações. Dentre estas, podemos destacar: a Comenda e Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico (em 2007); o Prêmio Almirante Álvaro Alberto - uma das maiores honrarias científicas do Brasil (2019); o Prêmio CBMM de Ciência e Tecnologia, na categoria “Ciência” (2021). Além disso, Vanderlei é membro de diversas academias de ciências, incluindo a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a Academia Mundial de Ciências (TWAS) e a Pontifícia Academia das Ciências Sociais do Vaticano (Bagnato, 2022; Bagnato, 2025a, ABC, 201?). Sobre suas premiações, o professor Bagnato relata: “<i>Eu nunca trabalhei por prêmios. Trabalho para a ciência ser excelente e relevante</i>” (Bagnato, 2025c).
Além das contribuições já citadas e dos reconhecimentos acadêmicos, Vanderlei tem se empenhado em disponibilizar o conhecimento científico para públicos variados, diversificando formatos e linguagens, criando os primeiros cursos online massivos (MOOCs) de física no Brasil, alcançando centenas de milhares de estudantes (Bagnato, 2025a; Bagnato, 2025b). A dedicação dele à educação e à popularização da ciência têm sido evidentes em suas inúmeras iniciativas, como o desenvolvimento de ações de comunicação pública da ciência por meio de televisão, livros, kits educativos e eventos em escolas. Por este trabalho, Vanderlei recebeu o 24º Prêmio José Reis de Divulgação Científica (CNPq) em 2004.
Em entrevista, Bagnato diz:
<cite> “Não precisamos só de cientistas, precisamos de mentes científicas. É diferente. Precisamos de pessoas que aplicam a ciência em tudo o que fazem. Se tiver um verdureiro que sabe ciência, eu garanto para você que ele vai vender a melhor fruta. Ele sabe como preservar, pois entende os processos” (Bagnato, 2025c). </cite>
Devido a sua expoente atuação científica, Bagnato aceitou o desafio de montar um laboratório de biofotônica na <i>Texas A&M University</i>, nos Estados Unidos, inspirado no centro que coordena em São Carlos. Apesar de passar, atualmente, a maior parte do tempo no Texas, continua acompanhando e executando todos os seus projetos no Brasil. (Bagnato, 2025c; Pivetta, 2023).
Mesmo com grande reconhecimento científico (nacional e internacional), em seu dia a dia Vanderlei Bagnato é reconhecido por seus colegas como sendo alguém simples, dedicado e atuante. De acordo com Kleber Chicrala (2022), ele costuma chegar em seu trabalho dirigindo seu fusca amarelo, usando tênis e vestindo uma camiseta simples estampada com algum símbolo dos grupos de pesquisa no qual participa - Grupo de Óptica, Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, USP (e outras). Carrega geralmente uma pasta pesada e uma mochila ainda mais pesada. Mantém, desde o início de sua carreira, uma rotina dedicada à ciência, conciliando com sua vida de marido, pai, avô e cidadão, da qual ele se orgulha por conseguir participar de ações beneficentes (Chicrala, 2022; Bagnato, 2022). Vanderlei Salvador Bagnato é um exemplo de como a paixão pela ciência, aliada ao compromisso social, podem transformar vidas e contribuir significativamente para o avanço do conhecimento e o bem-estar da sociedade.
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