Divulgando mulheres negras nas ciências
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2025
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A pesquisa combate a sub-representação de mulheres negras na ciência através de atividades educacionais (palestras, rodas de conversa e redes sociais) que destacam trajetórias de cientistas negras como Jaqueline Goes e Gladys West. Realizadas em escola do Maranhão, as ações visam desconstruir estereótipos racistas e machistas do cientista como homem branco, incentivando meninas negras a seguirem carreira científica. Os resultados demonstraram potencial para transformar percepções sociais e promover inclusão epistemológica. |
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Pesquisas como essa, que buscam ressaltar a importância das mulheres negras e de suas contribuições para a produção do conhecimento científico, são absolutamente fundamentais para a nossa sociedade, por diferentes motivos.
Ao apresentar para a comunidade escolar a trajetória de cientistas negras e suas descobertas, o presente estudo contribui para a mudança de paradigma e da visão do coletivo acerca do cientista, até então predominantemente imaginado como sendo homem e branco.
Tal mudança, por sua vez, pode incentivar e estimular pessoas, fora desse “padrão”, sobretudo meninas e mulheres negras a almejar a carreira de cientista, mostrando a elas que também é possível ocupar esse lugar.
Essa aproximação se torna muito importante uma vez que traz à tona personalidades dotadas de grande potencial e capazes de deixar contribuições inestimáveis para a ciência e para a sociedade como um todo e, dessa forma, nos permitir adquirir novos conhecimentos e melhorarmos a compreensão sobre os saberes que já construímos, bem como a nossa visão de mundo.
Nesse sentido, a apresentação de trajetórias de cientistas negras para o público escolar contribui para a interrupção do processo de exclusão e para o empoderamento das pessoas não-brancas que compõem esse coletivo, de modo que essas possam se enxergar na posição de produtoras de conhecimento.
Assim, ao promoverem a aproximação e o interesse pelas carreiras científicas por parte de jovens não-brancas/os, as atividades desenvolvidas pelo presente estudo contribuem para o processo de inclusão e democratização do acesso dessas pessoas ao ensino de qualidade, à profissão de cientista e aos espaços onde se produz ciência.
Por fim, as atividades educacionais promovidas, principalmente as presenciais, também estimulam o senso crítico e ético da comunidade escolar, conscientizando-a de que a presença de mulheres negras nas ciências é imprescindível para o desenvolvimento e avanço na produção de conhecimento. Quanto mais diversidade existir entre aqueles e aquelas que fazem ciência, maiores serão os avanços que poderão ser realizados nesse campo. Atualmente, a sociedade brasileira ainda é muito marcada pelo racismo e pelo machismo em suas diferentes dimensões e espaços. Nos mais variados locais, mulheres negras são sistematicamente discriminadas e excluídas. Em espaços de produção do conhecimento científico não é diferente. O acesso a universidades e instituições de pesquisa vem sendo, ao longo de décadas, repetidamente negado a grande parte dessas mulheres, de modo que tais ambientes permanecem dominados sobretudo por homens brancos. Tal fato produz uma imagem padronizada do cientista entre a população brasileira, e, consequentemente, a ideia de que só alguém branco e do sexo masculino pode exercer essa profissão. Portanto, a popularização das histórias de cientistas negras e de suas descobertas entre o público é uma importante e potente maneira de se romper com esse padrão, quer seja valorizando o conhecimento produzido por essas pesquisadoras, quer seja contribuindo para a inclusão, logo para o aumento do quantitativo de mulheres negras nas ciências. Para isso, a aqui apresentada pesquisa desenvolveu atividades educacionais com o objetivo de destacar e enfatizar a grande relevância dessas personagens para a humanidade. Dentre as ações, foram propostas palestras com o objetivo de apresentar cientistas negras de destaque em diferentes áreas do conhecimento: a biomédica brasileira Jaqueline Goes de Jesus, a matemática Gladys Mae West e a bioquímica Marie Maynard Daly, estas últimas estadunidenses. Os estudos dessas três cientistas contribuíram sobremaneira para a resolução de problemas do nosso dia a dia e para a melhoria de nossa qualidade de vida. Além das palestras, foram organizadas outras ações, como rodas de conversa e publicações em redes sociais. Durante a realização das palestras, os pesquisadores deste estudo notaram que o público manifestou grande interesse pelo tema abordado. Além disso, parte significativa dos participantes percebeu a importância de se modificar a visão excludente, irreal, racista e machista que costumamos ter do cientista e que prevalece ainda hoje, sempre o imaginando como um homem branco. A estratégia das postagens também se mostrou muito produtiva, pois ampliou a audiência, além de expandir a abrangência e o alcance das reflexões produzidas nas atividades presenciais propostas. Inicialmente, as pesquisadoras realizaram um levantamento bibliográfico de textos acadêmicos que abordam o combate ao racismo e ao machismo, enfatizando a representatividade de mulheres negras nas ciências, e trazendo enfoques possíveis desse tema no ensino, na divulgação científica e em políticas públicas. Em seguida, esses textos foram lidos e alguns dos conteúdos, abordagens e reflexões propostas foram selecionadas para orientar a elaboração das atividades educacionais. A seleção priorizou discussões sobre cientistas negras e suas produções; as diversas violências que as mulheres negras vêm sofrendo, historicamente, no Brasil – entre as quais o apagamento dos papeis fundamentais que elas desempenham na promoção e manutenção do bem-estar de nossa sociedade. Além disso, para orientar as atividades educacionais também foram utilizadas discussões acerca dos grandes e numerosos obstáculos que essas mulheres precisam ultrapassar para terem acesso à educação de qualidade e a empregos dignos e sobre os processos que as levam a serem excluídas de certos espaços e postos profissionais, tomando como exemplo as instituições científicas e a profissão de cientista. A parte presencial do estudo foi desenvolvida no Centro de Ensino Professor Rubem Almeida, localizado no município de Pinheiro, no estado do Maranhão. No colégio, as autoras da pesquisa realizaram palestras e rodas de conversa, cujo tema abordado tratou da importância das mulheres negras na ciência. Ao longo dessas atividades, foi dada a alunos e profissionais de educação a oportunidade de debater e expor os respectivos pontos de vista e percepções referentes ao tema em questão. Cada participante recebeu marcadores de páginas com a foto e informações sobre as cientistas negras, alvo das discussões: Jaqueline Goes, Gladys Mae e Marie Maynard. A atividade educacional não-presencial, que consistiu na elaboração de postagens feitas na página do Grupo de Pesquisa Conscientize, no Instagram, do qual as autoras do estudo fazem parte, contou um pouco sobre a trajetória dessas cientistas negras e como foi a contribuição delas para o desenvolvimento da ciência mundial. |
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292712025-10-09T14:35:20Z1[CeS] Textos de divulgação30208Ciência em Síntese Divulgando mulheres negras nas ciências Giulia Engel Accorsi Sarah Lorena Silva Santos mulheres negras história da ciência mulheres na ciência 2025-08-20 Figura 3 - Alunos e as pesquisadoras vignette : https://repositorio.canalciencia.ibict.br/files/large/579fb00a7d7e50725df016de823ae0e0c53508aa.jpg Pesquisas como essa, que buscam ressaltar a importância das mulheres negras e de suas contribuições para a produção do conhecimento científico, são absolutamente fundamentais para a nossa sociedade, por diferentes motivos. Ao apresentar para a comunidade escolar a trajetória de cientistas negras e suas descobertas, o presente estudo contribui para a mudança de paradigma e da visão do coletivo acerca do cientista, até então predominantemente imaginado como sendo homem e branco. Tal mudança, por sua vez, pode incentivar e estimular pessoas, fora desse “padrão”, sobretudo meninas e mulheres negras a almejar a carreira de cientista, mostrando a elas que também é possível ocupar esse lugar. Essa aproximação se torna muito importante uma vez que traz à tona personalidades dotadas de grande potencial e capazes de deixar contribuições inestimáveis para a ciência e para a sociedade como um todo e, dessa forma, nos permitir adquirir novos conhecimentos e melhorarmos a compreensão sobre os saberes que já construímos, bem como a nossa visão de mundo. Nesse sentido, a apresentação de trajetórias de cientistas negras para o público escolar contribui para a interrupção do processo de exclusão e para o empoderamento das pessoas não-brancas que compõem esse coletivo, de modo que essas possam se enxergar na posição de produtoras de conhecimento. Assim, ao promoverem a aproximação e o interesse pelas carreiras científicas por parte de jovens não-brancas/os, as atividades desenvolvidas pelo presente estudo contribuem para o processo de inclusão e democratização do acesso dessas pessoas ao ensino de qualidade, à profissão de cientista e aos espaços onde se produz ciência. Por fim, as atividades educacionais promovidas, principalmente as presenciais, também estimulam o senso crítico e ético da comunidade escolar, conscientizando-a de que a presença de mulheres negras nas ciências é imprescindível para o desenvolvimento e avanço na produção de conhecimento. Quanto mais diversidade existir entre aqueles e aquelas que fazem ciência, maiores serão os avanços que poderão ser realizados nesse campo. Atualmente, a sociedade brasileira ainda é muito marcada pelo racismo e pelo machismo em suas diferentes dimensões e espaços. Nos mais variados locais, mulheres negras são sistematicamente discriminadas e excluídas. Em espaços de produção do conhecimento científico não é diferente. O acesso a universidades e instituições de pesquisa vem sendo, ao longo de décadas, repetidamente negado a grande parte dessas mulheres, de modo que tais ambientes permanecem dominados sobretudo por homens brancos. Tal fato produz uma imagem padronizada do cientista entre a população brasileira, e, consequentemente, a ideia de que só alguém branco e do sexo masculino pode exercer essa profissão. Portanto, a popularização das histórias de cientistas negras e de suas descobertas entre o público é uma importante e potente maneira de se romper com esse padrão, quer seja valorizando o conhecimento produzido por essas pesquisadoras, quer seja contribuindo para a inclusão, logo para o aumento do quantitativo de mulheres negras nas ciências. Para isso, a aqui apresentada pesquisa desenvolveu atividades educacionais com o objetivo de destacar e enfatizar a grande relevância dessas personagens para a humanidade. Dentre as ações, foram propostas palestras com o objetivo de apresentar cientistas negras de destaque em diferentes áreas do conhecimento: a biomédica brasileira Jaqueline Goes de Jesus, a matemática Gladys Mae West e a bioquímica Marie Maynard Daly, estas últimas estadunidenses. Os estudos dessas três cientistas contribuíram sobremaneira para a resolução de problemas do nosso dia a dia e para a melhoria de nossa qualidade de vida. Além das palestras, foram organizadas outras ações, como rodas de conversa e publicações em redes sociais. Durante a realização das palestras, os pesquisadores deste estudo notaram que o público manifestou grande interesse pelo tema abordado. Além disso, parte significativa dos participantes percebeu a importância de se modificar a visão excludente, irreal, racista e machista que costumamos ter do cientista e que prevalece ainda hoje, sempre o imaginando como um homem branco. A estratégia das postagens também se mostrou muito produtiva, pois ampliou a audiência, além de expandir a abrangência e o alcance das reflexões produzidas nas atividades presenciais propostas. Inicialmente, as pesquisadoras realizaram um levantamento bibliográfico de textos acadêmicos que abordam o combate ao racismo e ao machismo, enfatizando a representatividade de mulheres negras nas ciências, e trazendo enfoques possíveis desse tema no ensino, na divulgação científica e em políticas públicas. Em seguida, esses textos foram lidos e alguns dos conteúdos, abordagens e reflexões propostas foram selecionadas para orientar a elaboração das atividades educacionais. A seleção priorizou discussões sobre cientistas negras e suas produções; as diversas violências que as mulheres negras vêm sofrendo, historicamente, no Brasil – entre as quais o apagamento dos papeis fundamentais que elas desempenham na promoção e manutenção do bem-estar de nossa sociedade. Além disso, para orientar as atividades educacionais também foram utilizadas discussões acerca dos grandes e numerosos obstáculos que essas mulheres precisam ultrapassar para terem acesso à educação de qualidade e a empregos dignos e sobre os processos que as levam a serem excluídas de certos espaços e postos profissionais, tomando como exemplo as instituições científicas e a profissão de cientista. A parte presencial do estudo foi desenvolvida no Centro de Ensino Professor Rubem Almeida, localizado no município de Pinheiro, no estado do Maranhão. No colégio, as autoras da pesquisa realizaram palestras e rodas de conversa, cujo tema abordado tratou da importância das mulheres negras na ciência. Ao longo dessas atividades, foi dada a alunos e profissionais de educação a oportunidade de debater e expor os respectivos pontos de vista e percepções referentes ao tema em questão. Cada participante recebeu marcadores de páginas com a foto e informações sobre as cientistas negras, alvo das discussões: Jaqueline Goes, Gladys Mae e Marie Maynard. A atividade educacional não-presencial, que consistiu na elaboração de postagens feitas na página do Grupo de Pesquisa Conscientize, no Instagram, do qual as autoras do estudo fazem parte, contou um pouco sobre a trajetória dessas cientistas negras e como foi a contribuição delas para o desenvolvimento da ciência mundial. O impacto das mulheres negras nas ciências A pesquisa combate a sub-representação de mulheres negras na ciência através de atividades educacionais (palestras, rodas de conversa e redes sociais) que destacam trajetórias de cientistas negras como Jaqueline Goes e Gladys West. Realizadas em escola do Maranhão, as ações visam desconstruir estereótipos racistas e machistas do cientista como homem branco, incentivando meninas negras a seguirem carreira científica. Os resultados demonstraram potencial para transformar percepções sociais e promover inclusão epistemológica. 2025-08-20 https://doi.org/10.56083/RCV4N4-100 Figura 1- Jaqueline Goes Figura 2- Gladys West Figura 3 - Alunos e as pesquisadoras Figura 4 - Palestra em alusão do Dia Nacional da Consciência Negra Ciências Humanas Accorsi (2025) Inicialmente, as pesquisadoras realizaram um levantamento bibliográfico de textos acadêmicos que abordam o combate ao racismo e ao machismo, enfatizando a representatividade de mulheres negras nas ciências, e trazendo enfoques possíveis desse tema no ensino, na divulgação científica e em políticas públicas. Em seguida, esses textos foram lidos e alguns dos conteúdos, abordagens e reflexões propostas foram selecionadas para orientar a elaboração das atividades educacionais. A seleção priorizou discussões sobre cientistas negras e suas produções; as diversas violências que as mulheres negras vêm sofrendo, historicamente, no Brasil – entre as quais o apagamento dos papeis fundamentais que elas desempenham na promoção e manutenção do bem-estar de nossa sociedade. Além disso, para orientar as atividades educacionais também foram utilizadas discussões acerca dos grandes e numerosos obstáculos que essas mulheres precisam ultrapassar para terem acesso à educação de qualidade e a empregos dignos e sobre os processos que as levam a serem excluídas de certos espaços e postos profissionais, tomando como exemplo as instituições científicas e a profissão de cientista. A parte presencial do estudo foi desenvolvida no Centro de Ensino Professor Rubem Almeida, localizado no município de Pinheiro, no estado do Maranhão. No colégio, as autoras da pesquisa realizaram palestras e rodas de conversa, cujo tema abordado tratou da importância das mulheres negras na ciência. Ao longo dessas atividades, foi dada a alunos e profissionais de educação a oportunidade de debater e expor os respectivos pontos de vista e percepções referentes ao tema em questão. Cada participante recebeu marcadores de páginas com a foto e informações sobre as cientistas negras, alvo das discussões: Jaqueline Goes, Gladys Mae e Marie Maynard. A atividade educacional não-presencial, que consistiu na elaboração de postagens feitas na página do Grupo de Pesquisa Conscientize, no Instagram, do qual as autoras do estudo fazem parte, contou um pouco sobre a trajetória dessas cientistas negras e como foi a contribuição delas para o desenvolvimento da ciência mundial. https://repositorio.canalciencia.ibict.br/api/items/29271 https://repositorio.canalciencia.ibict.br/files/original/579fb00a7d7e50725df016de823ae0e0c53508aa.jpeg https://repositorio.canalciencia.ibict.br/files/original/dfa377fc374e0f1885d2784b2bbf15d4ac819d35.jpeg https://repositorio.canalciencia.ibict.br/files/original/5043ee64159da4d9e38bb33d1718f735a113ed6b.jpeg https://repositorio.canalciencia.ibict.br/files/original/6fe4a88d9e4e9edf0331921b311d49285f1283a0.jpeg |