Maria da Conceição de Almeida Tavares

<strong>Laços familiares e formação acadêmica</strong> Nasceu em Portugal, no dia 24 de abril de 1930, na cidade de Aveiro, filha de Fausto Rodrigues Tavares e de Maria Augusta de Almeida Caiado. Seu pai resistiu ao regime político ditatorial da era Salazar. O Regime Salazar "foi um...

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الملخص:<strong>Laços familiares e formação acadêmica</strong> Nasceu em Portugal, no dia 24 de abril de 1930, na cidade de Aveiro, filha de Fausto Rodrigues Tavares e de Maria Augusta de Almeida Caiado. Seu pai resistiu ao regime político ditatorial da era Salazar. O Regime Salazar "foi um regime político autoritário que vigorou em Portugal de 1932 a 1974, sob a liderança de António de Oliveira Salazar, caracterizado como um Estado corporativista, nacionalista e anticomunista" (Campos, 2024). Os seus estudos universitários começaram em Portugal, primeiramente ela cursou engenharia e depois, matemática. No curso de engenharia, no <i>Instituto Superior Técnico de Lisboa</i>, havia apenas três mulheres, incluindo Maria, de um total de 250 alunos. No ano de 1953, formou-se em matemática, pela Universidade de Lisboa. Àquela época, Portugal e Espanha ainda passavam por uma situação política conturbada. Para fugir das opressões da ditadura de Salazar, Maria da Conceição mudou-se para o Brasil no ano de 1954, junto de seu marido Pedro José Serra Ribeiro Soares, que era formado em engenharia. Além da fuga do regime ditatorial de Salazar, outros motivos a estimularam a vir morar no Brasil, dentre eles: acompanhar o marido que havia recebido uma proposta de emprego para trabalhar na empresa de construção civil, Saturnino de Britto e rever os pais que já estavam morando aqui. Maria Conceição tinha se casado no ano de 1952 e ao chegar no Brasil estava grávida de sua primeira filha. Ela e o marido decidiram morar na cidade do Rio de Janeiro. Lá, o casal conseguiu se inserir e ser bem-aceito pela sociedade carioca, principalmente pelo círculo político esquerdista e acadêmico. Conforme, Gomes (2021), “os dados apontam para uma vida social ligada aos ciclos da sociedade carioca da época, marcando presença nos debates e tomadas de decisão exercendo, ainda, significativa influência nos rumos da economia brasileira”. O casamento com Pedro José durou até 1956, ano em que se desquitaram. Maria da Conceição teve dois filhos, Laura e Bruno. A sua primeira filha é Laura Tavares Ribeiro Soares, que nasceu no ano de 1954. Laura é Professora em economia na área de concentração em política social pelo Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP (Melo, 2019). O outro filho, Bruno Tavares Magalhães Macedo, nasceu em 1965, fruto da união com o geólogo Antônio Carlos de Magalhães Macedo. Bruno é mestre em História Social pela Universidade Federal Fluminense e graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, e em Cinema e Audiovisual pela Universidade Federal Fluminense (Melo, 2019). No ano de 1955, Maria Conceição foi aprovada em concurso público para trabalhar no Instituto Nacional de Imigração e Colonização (Inic) e três anos após chegar ao Brasil, teve a sua nacionalidade brasileira reconhecida. Como seu diploma de matemática não foi aceito no Brasil, então em 1957, Conceição Tavares fez vestibular e entrou para a Faculdade de Ciências Econômicas da antiga Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Durante sua graduação foi contratada como consultora pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDE), a fim de realizar análises econométricas, estudo que prevê a aplicação de ferramentas estatísticas para obter relações entre variáveis econômicas com base em modelos matemáticos. As análises buscavam observar as relações de distribuição de renda no Brasil. No ano de 1961, após concluir a graduação, foi contratada pelo escritório da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), no Brasil, para realizar um curso sobre desenvolvimento econômico. Os segmentos teóricos da professora Conceição Tavares podem ser divididos em três fases: a fase Cepal, a fase Unicamp e a fase UFRJ. “Na primeira etapa, privilegiou-se a questão do (sub)desenvolvimento econômico periférico, em particular a economia brasileira; na segunda tratou-se do diálogo crítico com Marx, Keynes e Kalecki, autores importantes da tradição da Economia Política […], já na terceira etapa, a análise contempla a (des)ordem econômica mundial.” (Melo, 2019). Foi para o Chile no ano de 1968, onde trabalhou na Cepal, e pautou-se nos estudos voltados para o desenvolvimento periférico na América Latina, sobretudo no Brasil. Após voltar do Chile, cursou mestrado em economia, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), onde o concluiu, no ano de 1972. Em 1975, obteve o título de doutorado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, cuja tese foi intitulada: Acumulação de capital e industrialização no Brasil (Melo, 2019). Em 1973, Maria da Conceição passa a lecionar na Unicamp, cujos trabalhos e estudos estavam voltados para a revisão das teorias de Marx, Keynes e Kalecki. Ela também analisava a conformação da estrutura oligopólica, que gera assimetria nos processos de acumulação de renda, no progresso tecnológico e na distribuição de renda. Estruturas oligopólicas geram concentração e dominação de grande parcela do mercado, por parte de um pequeno número de empresas. Nos anos 1980, Conceição Tavares retornou para a Universidade Federal do Rio de Janeiro, como coordenadora do curso de economia, com trabalhos voltados para o estudo da desordem econômica mundial e a formação dos centros de hegemônicos na economia.