Bertha Maria Júlia Lutz

Bertha Lutz nasceu na cidade de São Paulo, em 2 de agosto de 1894, filha de Amy Fowler e de Adolfo Lutz - médico e cientista brasileiro-fundador da medicina tropical e da zoologia médica no Brasil, além de diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo. Ele considerava o desempenho das universidad...

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Formato: Online
Publicado em: 2021
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Acesso em linha:https://canalciencia.ibict.br/historia-das-ciencias/cientista?item_id=22860
Descrição
Resumo:Bertha Lutz nasceu na cidade de São Paulo, em 2 de agosto de 1894, filha de Amy Fowler e de Adolfo Lutz - médico e cientista brasileiro-fundador da medicina tropical e da zoologia médica no Brasil, além de diretor do Instituto Bacteriológico de São Paulo. Ele considerava o desempenho das universidades brasileiras inferiores ao das europeias, assim, enviou Bertha em 1914, para Paris, na França, a fim de concluir o ensino secundário e cursar o nível superior. Ela formou-se em botânica, ciências naturais, zoologia, embriologia, química e biologia pela Université Paris-Sorbonne (Faculdade de Ciências da Universidade de Paris), em 1918, tornou-se tradutora no setor de zoologia do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro para ficar ao lado do pai. No ano seguinte, prestou concurso para o Museu Nacional. Entre 10 “candidatos”, foi a segunda mulher a ingressar no serviço público brasileiro. Embora o cargo fosse o de secretário, atuou como naturalista, acumulando experiência em museologia dentro da mesma instituição. Aos 24 anos, tomou-se militante da luta pela cidadania da mulher e em 1919, fundou a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, a qual foi substituída em 1922, pela Federação Brasileira para o Progresso Feminino, também fundada por ela, cujo objetivo era dar início à luta pelo direito ao voto das mulheres. Sob a presidência de Bertha Lutz entre 1922-1942, essa organização teve por objetivo congregar as diversas associações estaduais e nacionais. Em 1931, ao lado de outras ativistas, ela redigiu e entregou ao presidente Getúlio Vargas (1882-1954), documento sobre os direitos das mulheres. Em 1933, Bertha fundou a União Profissional Feminina e a União das Funcionárias Públicas, e também, bacharelou-se pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro. Posteriormente, no ano seguinte, concorreu à Câmara dos Deputados, mas conseguiu apenas a suplência do Partido Autonomista, que era ligado ao movimento feminista. Dois anos depois, em decorrência da morte do Deputado titular Cândido Pessoa, obteve o mandato como suplente devido à vacância do cargo. Com isso, tornou-se a segunda deputada federal do Brasil. Em seu mandato, lutou pela mudança da legislação referente ao trabalho de mulheres e menores de idade, propôs igualdade salarial, isenção do serviço militar feminino, licença maternidade, diminuição da carga horária de trabalho e elaborou projetos para o combate à lepra e à malária no Rio de Janeiro. Permaneceu no parlamento até novembro de 1937. No final do ano 1937, assumiu interinamente a chefia do setor de botânica do Museu Nacional, sendo autorizada a zelar pelas coleções científicas de seu pai, que versavam sobre a lepra e os anfíbios, bem como a realizar expedições para complementar os estudos sobre os anuros. Posteriormente, com a morte de seu pai, Bertha reuniu e publicou todos os textos dele, preservou suas coleções biológicas e acervo pessoal, que incluía numerosas cartas e documentos. Foi aposentada compulsoriamente pelo Museu Nacional em 1964, mas continuou trabalhando até ser agraciada com o título de professora emérita da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 16 de setembro de 1976, Bertha Lutz faleceu no Rio de Janeiro. Durante sua vida, Bertha Lutz participou de muitas conferências, foi membro de diversas associações e contribuiu tanto para ciência como para o movimento de igualdade de gênero do país. Um dos destaques nos estudos como bióloga, foi a descoberta da espécie de sapos Paratelmatobius lutzii, chamado de “Lutz’s rapids frog”. Na política, tornou-se uma das quatro mulheres escolhidas entre 850 para participar da redação da Carta das Nações Unidas. Com o impacto de contribuições, a Câmara dos Deputados disponibiliza na internet os documentos da deputada Bertha Lutz, reconhecidos pela Unesco, como Memória do Mundo e, em 2020, publicou-se o livro biográfico sobre Bertha Lutz. Em 2021, a HBO lança o documentário sobre a vida de Bertha Lutz, denominado “ Bertha Lutz — A mulher na carta da ONU”, com o objetivo de retratar o importante papel da bióloga e feminista brasileira, e ao mesmo tempo, assegurar que as questões de gênero sejam contempladas nas bases da Organização das Nações Unidas (ONU).