Cravo-da-índia contra dengue e malária

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Título Original da Pesquisa
Atividade larvicida de extratos de cravo-da-índia e eugenol contra Aedes aegypti e Anopheles darlingi.
O que é a pesquisa?

Mosquitos são responsáveis por transmitir diversas doenças como malária, encefalite, dengue, febre amarela e filariose. Nos países tropicais, devido ao calor e à umidade, é comum a proliferação de mosquitos das espécies Aedes aegypti e Anopheles darlingi. No Brasil e em outros países, o Aedes aegypti é o maior causador da dengue. A disseminação dessa doença tem sido uma grande preocupação, principalmente pela sua forma mais grave - a dengue hemorrágica, que pode afetar o sistema nervoso central. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, um quinto (1/5) da população mundial tem risco de contrair dengue. Já o mosquito Anopheles darlingi é o maior transmissor da Malária no Brasil, principalmente na região Amazônica. Essa doença é um problema de saúde pública em mais de 100 países. Estima-se que quase um milhão de pessoas morreu por causa da malária, sendo que 90% dessas mortes ocorreram na África.

Até então não foi encontrada uma vacina que tenha resultados significativos na imunização da dengue ou malária. Assim, o controle da população dos mosquitos transmissores torna-se uma arma importante no combate a essas doenças. Diversas substâncias têm sido estudadas como inseticidas, uma vez que os mais usados atualmente vêm perdendo sua eficiência à medida que os mosquitos aumentam as suas resistências. 

A flor do cravo-da-índia, ou simplesmente cravo, é usada como especiaria desde a antiguidade. Na culinária brasileira está bastante presente, devido ao aroma e sabor característicos. Na medicina, o cravo é conhecido por ter propriedades bactericida, fungicida e mesmo antiviral. Pelas suas diversas particularidades, pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) estudaram o efeito larvicida do cravo-da-índia.

Como é feita a pesquisa?

Para teste de larvicida, foi utilizado o cravo-da-índia em três formas: solução aquosa, extrato com metanol e o eugenol. A solução aquosa foi obtida pela filtragem da mistura, feita no liquidificador, de 60 g dos botões da flor do cravo com 300 ml de água destilada.  O extrato com metanol foi extraído de 320 gramas de botões de flores de cravo com auxílio do aparelho Soxhlet (aparelho de laboratório usado para extrair substâncias químicas de sólidos) durante 6 horas, por três vezes (3 x 6h). O extrato foi filtrado, concentrado sob pressão reduzida e armazenado a 4ºC. Por último, 6 g do extrato foram dissolvidos em 60 ml de água. O eugenol é composto aromático, à base de cravo, comercializado. Para os testes, o eugenol foi dissolvido em 60 ml de água.

A criação de Aedes aegypti foi realizada em um insetário no Inpa, sob a temperatura de 26°C, com umidade relativa maior que 85% e iluminado 12 h por dia. Os mosquitos foram mantidos em gaiolas teladas onde eram alimentados com uma bola de algodão embebida em uma solução de açúcar. As fêmeas recebiam também refeições de sangue de hamsters duas vezes por semana e depositavam seus ovos em copos de plástico de 50 ml de volume. Nesses copos, continham 20 ml de água e eram cobertos com tiras de papel filtro. As tiras de papel com ovos eram desidratadas e armazenadas no próprio insetário. Para obter larvas, as tiras de papel foram transferidas para recipientes esmaltados contendo água, onde os ovos alcançavam o estágio de larva em quatro dias.

Devido à dificuldade de manter colônias de Anopheles darlingi no insetário, as larvas foram obtidas através de coletas periódicas no campo, as quais foram realizadas nos municípios de Coari e Cacau Pirera, do estado do Amazonas. Fêmeas foram capturadas antes de sua refeição de sangue e, em seguida, alimentadas em laboratório com sangue de aves. Elas colocavam seus ovos em copos forrados com papel filtro molhado, para evitar a dessecação do ovo. Depois, esses ovos eram transferidos para recipientes esmaltados contendo água destilada e alimentos líquidos. Os ovos levavam de 3 a 5 dias para virar larvas.

Após os ovos passarem para o estágio de larva, eram testadas as soluções de cravo como larvicida. Em diferentes recipientes contendo as larvas foram colocadas diferentes concentrações da solução aquosa cravo, extrato de cravo com metanol ou o eugenol. Em seguida, foi contado o número de larvas mortas em cada recepiente após 24, 48 e 72 h de exposição. Esse procedimento foi realizado cinco vezes para confirmar os resultados. Com isso, foi possível obter uma percentagem média de mortalidade das larvas. 

Qual a importância da pesquisa?

Os resultados dos testes com as soluções de cravo mostraram que a solução aquosa tem maior poder larvicida, matando quase todas as larvas de mosquitos de A. darlingi e de A. aegypti após 24 h de exposição. O extrato metanólico de cravo levou 72 h para matar aproximadamente a mesma quantidade de larvas de A. darlingi e eugenol levou 48 h para matar as larvas de A. aegypti.
 
Em geral, o estudo mostrou que solução aquosa de cravo-da-índia pode matar larvas dos principais transmissores de dengue e malária logo nas primeiras 24 h. Os resultados são de extrema importância na busca de métodos seguros e rápidos de eliminação de larvas desses mosquitos, principalmente nos períodos de surtos e epidemias. Trata-se de uma tecnologia social, que a população tem acesso direto, sem ficar esperando providências das autoridades competentes, e o custo é baixo.  Além do mais, tal inseticida não seria tóxico para crianças e animais domésticos.
 

Pesquisador(es) Responsável(eis)

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Data de publicação