Conservação e pesca manejada dos Pirarucus e Aruanãs

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Título Original da Pesquisa
Biologia de Osteoglossiformes nas Várzeas da Reserva Mamirauá
Fonte(s) financiadora(s)

MCT/CNPq, IPAAM, WCS, WWF, ABC e Prodetab/Banco Mundial

O que é a pesquisa?

Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, no Alto Solimões (AM), local onde esta pesquisa se realiza desde 1993, algumas espécies-chave da economia de subsistência local são alvo de estudos e esforços de conservação e manejo da exploração em bases sustentadas, por parte dos pesquisadores do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, que administra a Reserva.

Por este motivo, os peixes pirarucus e aruanãs vêm sendo estudados, dentro da filosofia de subsidiar a implantação de normas de manejo sustentado, garantindo a continuidade do uso dos recursos naturais das várzeas amazônicas e a conservação de sua biodiversidade.

A pesca manejada sob critérios sustentáveis poderá aliviar as pressões sobre as populações naturais de pirarucus, mas a conservação da espécie deve ser também garantida por meio de um amplo programa de criação em cativeiro.

Definir uma tecnologia compreensível de reprodução em cativeiro é o objetivo principal desta pesquisa pelos próximos 3 anos.

Outro dado levado em conta pelos cientistas é que alguns aspectos da tecnologia de pesca na Amazônia, como uso de redes malhadeiras e embarcações motorizadas, introduzidos nos últimos 25 anos, provocaram a diminuição da quantidade e do tamanho dos animais capturados.

Para combater esta pressão sobre os peixes, os pesquisadores de Mamirauá também estão introduzindo na região um programa de pesca manejada, ou seja, a pesca feita através de um modelo sustentável que garanta a reprodução e manutenção da espécie.

Para se realizar a conservação destas espécies (tanto por meio da pesca manejada ou da criação em cativeiro) são necessárias informações gerais sobre a biologia destas espécies, buscadas na pesquisa.

Dentre as mais relevantes, destacam-se o período de reprodução, a fecundidade e fertilidade dos animais, o amadurecimento sexual, a estratégia reprodutiva, as taxas de mortalidade, os hábitos alimentares, o padrão de crescimento, a estrutura natural das populações, e etc.

Todas estas informações combinadas permitem realizar recomendações específicas com relação à proteção das populações nativas remanescentes e ao manejo pesqueiro na região, além de revelar padrões que serão a base para as futuras tecnologias de manejo e reprodução em tanques de criação.

Como é feita a pesquisa?

Embora os pirarucus sejam criados desde a década de 1930, ainda não são conhecidas técnicas estáveis para induzir, controlar e otimizar a reprodução em ambientes artificiais.

Enquanto a tecnologia para crescimento e engorda dos plantéis em tanques e açudes já é conhecida, a reprodução nestes ambientes é esporádica e muito variável.

Nos próximos anos estão programados testes de seleção sexual em tanques, e indução de desova por meio da manipulação artificial de aspectos ambientais. Indução hormonal da desova também é um dos testes previstos.

Em campo, as pesquisas focalizam especialmente a seletividade de sítios de nidificação, que aparentemente constituem o fator limitante ao acasalamento. Além disso, buscam elucidar outros principais aspectos da ecologia e do comportamento da reprodução dessas espécies.

 

Qual a importância da pesquisa?

Pirarucus e aruanãs são dois dos mais curiosos peixes da Amazônia brasileira. São aparentados e pertencem a um mesmo grupo de peixes. Este grupo, um dos mais antigos do mundo, possui uma ampla distribuição em praticamente todas as áreas tropicais do planeta. Duas das três espécies que ocorrem na América do Sul, estão presentes em Mamirauá.

Esses animais tem atraído grande atenção de pesquisadores da Amazônia e de outras partes do Brasil e do mundo por sua importância econômica e surpreendentes adaptações para a vida nos trópicos.

O pirarucu, espécie de longa tradição de exploração na Amazônia, é a principal fonte de renda para as populações tradicionais ribeirinhas da região do Médio Solimões (AM).

Na Reserva de Mamirauá, o comércio da carne seca e salgada dos pirarucus perfaz sozinho quase 30% da renda domiciliar média anual de um domicílio típico local.

Por outro lado, a espécie de peixe mais consumida localmente por estas mesmas populações humanas são os aruanãs.

Outro dado relevante é que a atividade pesqueira é responsável pela absorção de boa parte da mão-de-obra não especializada da região amazônica, e configura-se como um importante fator de geração de emprego e renda. Além disso, os peixes constituem a principal fonte de proteínas animais para consumo.

Texto de divulgação científica publicado em 02 de dezembro de 2002.

Pesquisador(es) Responsável(eis)

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Sugestões de leitura

Livro: Estratégias para Manejo de Recursos Pesqueiros em Mamirauá. Disponível em: www.mamiraua.org.br

Imagem de destaque: Pirarucu. tab2_dawa. Acesso em 11 set 2019.

Data de publicação