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Pesquisadores buscam fontes alternativas de matéria-prima (potássio) para produção de fertilizantes

O que é a pesquisa

O potássio é essencialmente usado como matéria-prima para a produção de fertilizantes. Noventa e cinco por cento (95%) da produção mundial destina-se a este fim. O Brasil gasta, anualmente, cerca de 600 milhões de dólares com a importação de potássio.

 Diante deste quadro, pesquisadores do Centro de Tecnologia Mineral do Ministério da Ciência e Tecnologia e da Coordenação dos Programas de Pós Graduação em Engenharia da Universidade Federal do rio de Janeiro estudam como produzir sais de potássio para fertilizantes a partir de fontes não convencionais. Entre estas fontes contam-se as rochas ricas de feldspatos alcalinos (feldspatos alcalinos – grupo de minerais compostos predominantemente por silicatos de alumínio, potássio e sódio) e/ ou rochas contendo outros silicatos ricos de potássio, muito comuns na Natureza. Para extrair o potássio os pesquisadores investigam processos hidro-pirometalúrgicos (isto é, obtenção de metais e outros elementos utilizando soluções aquosas e temperaturas elevadas).

 Essas pesquisas focam, preferencialmente, os resíduos de minas e pedreiras em atividade. São os chamados estéreis ou rejeitos de minas.

Participam desta pesquisa, os pesquisadores Ericksson e Almendra(COPPE), Marisa Nascimento(COPPE), Reiner Neumann(CETEM)e Hélio Scalvi(INB).

Como é feita a pesquisa

As principais etapas destes estudos incluem:
1. Seleção de áreas onde ocorram rochas ou materiais ricos de potássio;
2. caracterização químico-mineralógica e tecnológica do material selecionado para estudo;
3. pesquisa e desenvolvimento de processos hidro-pirometalúrgicos;
4. análises químicas de acompanhamento e caracterização químico-mineralógica dos resíduos sólidos;
5. definição dos melhores caminhos;
6. estudo dos resíduos obtidos nos processos de solubilização;
7. otimização do(s) processo(s);
8. pré avaliação econômica em escala de laboratório;
9. estudo de avaliação econômica em escala piloto; e estudo preliminar de instalação do núcleo industrial.

A pesquisa em curso, utilizando o estéril de uma mina desativada (constituído por rocha feldspática enriquecida em potássio por processos hidrotermais) apresentou bons resultados com recuperação de 96% do potássio contido no feldspato.

O resíduo obtido com a solubilização da rocha é constituído, principalmente, por um mineral neoformado (novo mineral formado durante o processo), sem potássio que fica na solução e que poderá ser aproveitado industrialmente.

Já está em curso um pedido de patente, estudando-se a hipótese de um segundo pedido.

Importância da pesquisa

Noventa e nove por cento (99%) do potássio consumido no País atende à indústria de fertilizantes. Entretanto o Brasil tem uma única mina produtora, no Estado de Sergipe, distante dos principais centros consumidores e que satisfaz menos de 15% das necessidades do País.

De 1988 a 2000 o consumo de fertilizantes no Brasil cresceu 6,7% ao ano, sendo que em 2000 o consumo aparente foi 30% superior ao de 1999 e todos os indicadores apontam para o aumento progressivo desse consumo.

Assim, em primeiro lugar, ao buscar, testar e comprovar a eficácia de novas técnicas e fontes para a obtenção de potássio, a pesquisa visa contribuir, também, na redução das importações. O Brasil traz do exterior, a cada ano, mais de 2,6 milhões de toneladas de matérias primas e produtos intermediários de potássio para fertilizantes, a um custo de cerca de US$ 600 milhões.

A pesquisa, simultaneamente, ajuda a viabilizar novos centros produtores situados, mais próximos das áreas consumidoras. Ao fazer isso também contribui para regionalizar novas indústrias que atuem tanto na criação de novos empregos quanto no desenvolvimento equilibrado do espaço nacional.

Finalmente, ao viabilizar o aproveitamento de estéreis e rejeitos de minas e pedreiras, essa pesquisa auxilia a redução de danos ambientais.

Texto de divulgação científica publicado em 03 de julho de 2003.