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Adaptação de peixes a diferentes ambientes na Amazônia

O que é a pesquisa

 Existem peixes que sobrevivem a baixos níveis de oxigênio em seus ambientes bem como em águas com baixo pH e pobres em íons. Alguns peixes sobrevivem às características de hipóxia em águas ácidas e deficientes em íons e ainda suportam alterações ambientais causadas pelo homem como assoreamento, pequenos derramamentos de petróleo, despejo de resíduos agrotóxicos, etc.

Estudar quais são as variedades de peixes que sobrevivem a tais características ambientais, conhecer o tempo máximo de tolerância a situações de estresse em cada espécie e observar as conseqüências decorrentes de cada situação de estresse, seja ela natural, seja ela causada pela ação do homem sobre o ambiente, são os objetivos desta pesquisa, realizada pelos pesquisadores do Laboratório de Ecofisiologia e Evolução Molecular do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o INPA.

Importância da pesquisa

 As conclusões desta pesquisa subsidiam, dentre outras, a atividade de aqüicultura (criação de peixes) amazônica, que é uma atividade econômica essencial na região, pois os peixes são a principal fonte de proteínas das populações ribeirinhas amazonenses.

Com os dados científicos acerca da tolerância a hipóxia e às águas ácidas e pobres em íons é possível conceber, planejar e implantar novas alternativas de criação, tomando por base a capacidade adaptativa dos animais às condições adversas, comuns nos ecossistemas aquáticos da Amazônia.

Os resultados das avaliações de populações mantidas em cativeiro também são compartilhados com os criadores. A obtenção de dados genéticos e evolutivos subsidia a tomada de decisões sobre uso sustentado dos recursos pesqueiros nos locais estudados. Na medida do possível, os resultados são reunidos em volumes específicos que atendem alunos de graduação, pós-graduação e o público em geral. Os principais volumes já publicados podem ser consultados em bibliotecas ou por meio do site http://leem.gov.br/produção

Novas investigações visam o estudo dos efeitos das atividades da indústria petroleira sobre as espécies de peixes amazônicos. A identificação das espécies mais sensíveis e das mais resistentes à exposição ao petróleo é importante para a produção de mapas de sensibilidade e vulnerabilidade ambiental, requisitos fundamentais para a conciliação do desenvolvimento com a preservação ambiental.

A pesquisa, portanto, reveste-se de grande atualidade e importância, tanto social quanto econômica. São mais de 30 pessoas atuando no grupo, incluindo alunos de iniciação científica, estudantes de mestrado e doutorado. São 4 pesquisadores: Adalberto Luís Val; Vera Maria F. Almeida-Val; Adriana Chippari-Gomes e Maria de Nazaré Paula da Silva. Outros colaboradores brasileiros e estrangeiros podem ser conhecidos no site acima mencionado.

Como a pesquisa é feita

 Os pesquisadores procuram inicialmente investigar os aspectos fisiológicos, bioquímicos e genéticos envolvidos nas adaptações dos peixes a diferentes condições ambientais. Diversas espécies da Amazônia vêm sendo intensivamente estudadas sob esses aspectos, em particular, as espécies Colossoma macropomum (tambaqui) e Astronotus ocellatus (Acará-Açu ou “Oscar”). Os peixes atuais são testemunhos vivos da variedade de condições a que estiveram submetidos desde o início da formação geológica da bacia Amazônica.

A pesquisa revela que a maioria dos ecossistemas da região apresenta oscilações profundas na disponibilidade de oxigênio, variando desde a hipersaturação que ocorre no meio do dia até completa ausência de oxigênio durante a noite. Outras constatações são a enorme diversidade de ambientes e tipos de águas (com diferentes propriedades físicas, químicas e biológicas), além da oscilação permanente em parâmetros físico-químicos causada pela alteração sazonal do nível dos rios.

Os cientistas buscam, portanto, identificar, numa grande variedade de adaptações evolutivas, soluções semelhantes, mesmo em grupos de peixes geneticamente distantes. Estas soluções comuns podem então servir de base para recomendações a serem adotadas no manejo e conservação de espécies.

Texto de divulgação científica publicado em 11 de dezembro de 2002.