Segunda, 29 Junho 2015 14:00

Robótica no Brasil e no mundo

robotica4Para quem gosta de robótica, o ano de 2015 é um prato cheio. Junho foi marcado pelas finais do Darpa Robotics Challenge (DRC), que premiou em primeiro lugar o robô DRC-Hubo, da equipe Team Kaist da Coreia do Sul. O DCR é uma competição de robôs e softwares promovida pelo departamento de defesa norte-americano (Defense Advanced Research Projects Agency), na qual equipes de todo o mundo competem para desenvolver robôs capazes de ajudar os seres humanos a realizar tarefas complexas – como caminhar por terrenos acidentados, dirigir um veículo, remover detritos, operar máquinas, subir em escada – em resposta a desastres naturais ou provocados pelo homem.

A competição, que aconteceu na Califórnia nos dias 5 e 6 de junho, premiou a equipe vencedora em U$ 2 milhões. Este ano, o critério de seleção era a capacidade do robô de executar busca e resgate de seres humanos. Entre os competidores, alguns robôs humanoides conseguiram até dirigir um carro. Isso é um grande salto, pois, antes, era necessário modificar o carro, equipá-lo com diversos computadores e sensores, para um robô guiá-lo. O desafio atual foi colocar todos os equipamentos no próprio robô humanoide para que ele tivesse todos os recursos necessários para dirigir um carro, assim como nós humanos fazemos. Confira no vídeo o robô DRC-Hubo em ação. 
 

No Brasil, importantes projetos como o do CaRINA (Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma), que tem apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e principalmente do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Sistemas Embarcados Críticos (INCT-SEC), vêm se consolidando aos poucos. Em 2011, o CaRINA I (veículo utilitário elétrico) foi automatizado e conseguiu demonstrar seu potencial rodando mais de 1 Km em modo autônomo. Neste mesmo ano, começou o projeto do CaRINA II, no qual um Fiat Palio Adventure foi modificado para se tornar um veículo autônomo urbano. Em setembro de 2012, este veículo foi testado nas ruas do campus de São Carlos, da Universidade de São Paulo, com controle 100% autônomo. Já em outubro de 2013, o CaRINA 2 realizou uma demonstração pública de navegação autônoma nas ruas de São Carlos. Durante a demonstração, o veículo percorreu algumas avenidas da cidade, identificando pedestres e obstáculos, mantendo uma distância segura deles. De acordo com os pesquisadores, esse foi o primeiro experimento de um veículo autônomo em vias públicas, devidamente autorizado, na América Latina. 


Segundo o coordenador do grupo de trabalho para o desenvolvimento de Robôs Táticos do INCT-SEC, Fernando Osório, o projeto CaRINA tem avançado e foram estabelecidas parcerias com empresas. “Atualmente estamos desenvolvendo pesquisas mais avançadas, com novos sensores, visando reduzir os custos referentes ao desenvolvimento de um veículo autônomo. Em breve, devemos ter mais uma demonstração dos avanços do projeto CaRINA, que deverá ser mais um marco no desenvolvimento dos veículos autônomos no país”, afirmou ele.

Outros resultados importantes do projeto e das pesquisas realizadas junto ao Laboratório de Robótica Móvel (LRM-ICMC), da USP, destaca-se o desenvolvimento de atividades conjuntas com a empresa JACTO S.A.. Dessa colaboração resultou um protótipo de um pulverizador autônomo que foi apresentado pela JACTO na Agrishow de 2014. O JAV2 é um projeto da JACTO, no qual o LRM atuou no desenvolvimento do sistema de percepção (visão) do veículo, que o impede de colidir contra obstáculos ou pessoas. O JAV2 é um projeto nacional e está entre os mais modernos do mundo, pois é totalmente autônomo. Assista ao JAV2 em operação.

O Brasil tem dado importantes passos para o avanço na área de veículos autônomos, inclusive com vários universitários brasileiros realizando estágios em laboratórios de ponta no Reino Unido, Alemanha, EUA, França e Austrália. “Estamos em uma posição de destaque internacional em relação aos demais grupos de pesquisa nesta área”, disse o pesquisador. Fernando Osório destaca ainda que inúmeras universidades têm se destacado com projetos de robótica no Brasil, seja de robôs submarinos, aéreos ou mesmo humanoides que vêm sendo apresentados em importantes conferências nacionais e internacionais.
robotica5Ainda de acordo com o pesquisador, existem diversas iniciativas para estimular os jovens a ter um maior contato com a robótica, sendo a Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) um ótimo exemplo. Apoiada pelo CNPq, a OBR busca animar os jovens a seguir carreiras científico-tecnológicas, identificar talentos e promover debates e atualizações no processo de ensino-aprendizagem brasileiro.

Na última semana, no campus de São Carlos da USP, aconteceu a modalidade prática da OBR. A competição ocorreu nos dias 13 e 14, tendo algumas empresas kits disponibilizados para que o público pudesse conferir como montar e programar um robô. Esse fato já está em primeira notícia.

Outro fato importante para a área de robótica foi a publicação do livro “Robótica Móvel”, organizado por Fernando Osório e outros pesquisadores da USP São Carlos e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O livro, lançado 2014, apresenta um panorama bem completo e atual da robótica brasileira.

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Osório aponta 2014 como um ano importante para a robótica brasileira, pois houve a Robocup, em João Pessoa, o maior evento de competições de futebol de robôs do mundo, e a Conferência Latino-Americana de Robótica na USP São Carlos. Por fim, o pesquisador destaca que apesar dos importantes avanços, o Brasil precisa perceber a robótica como uma questão estratégica, de grande relevância econômica, e com fortes impactos sociais. “A robótica irá mudar o nosso cotidiano, e se não quisermos ficar de fora desta nova onda, precisamos sem dúvida investir pesadamente neste no campo”.
 

Equipe Canal Ciência
29/06/15

Última modificação em Terça, 01 Outubro 2019 16:37

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