Sexta, 28 Agosto 2015 13:47

Motorista fantasma? Não, são os autônomos chegando

 downloadHoje não se discute mais se teremos carros autônomos, mas quando eles estarão trafegando pelas ruas. E se depender dos muitos grupos de pesquisas espalhados pelo mundo, inclusive no Brasil, que vêm trabalhando, dia e noite, no avanço da robótica, em pouco tempo poderemos entrar em um carro, ligar o motor, escolher uma rota no GPS e, em seguida, fazer qualquer coisa, menos dirigir. 

Parece ficção, mas não é. Importantes empresas de consultoria, como a americana Consulting Group (BCG), avaliam que a venda de carros autônomos no mundo chegará a ter 10% da fatia do mercado de automóveis em 2035. Isso representa nada menos do que 12 milhões de unidades ao ano. E quando falamos em carros semi-autônomos, o futuro parece estar muito próximo já que algumas empresas, como a Tesla, Mercedes e Toyota, já prometeram apresentar suas versões desses carros até 2020, com piloto automático e dispositivo de prevenção de colisões como itens de série.

Para o pesquisador Denis Wolf, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) e coordenador do projeto Carro Robótico Inteligente para Navegação Autônoma (CaRINA), o qual conversou com o Canal Ciência, é uma questão de tempo para que a tecnologia dos autônomos ganhe aceitação comercial e faça parte do dia a dia das pessoas. Além de falar sobre o desenvolvimento de um táxi autônomo baseado no CaRINA, que será apresentado ao público em meados de outubro, o pesquisador discorre sobre a necessidade de impulsionarmos a área de robótica e potencial dos veículos aéreos não tripulados (Vants), bem como avalia a divulgação do conhecimento científico no Brasil.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

1) O que é o projeto CaRINA?

O projeto dos pesquisadores do ICMC e da Escola de Engenharia da USP de São Carlos consiste em desenvolver um veículo capaz de navegar no trânsito urbano sem a intervenção de um motorista humano. O mesmo sistema também pode auxiliar a condução de um motorista humano, notificando-o sobre situações de risco e sugerindo ou executando manobras para evitar acidentes. O projeto conta com apoio da Fundação de Amparo a Pesquisa de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

2) O ICMC vem obtendo bons resultados? Quais foram os principais avanços?

Esse projeto avançou muito de 2011 pra cá. O CaRINA foi o primeiro na América Latina a ser testado em ruas de uma cidade, no início de outubro de 2013, quando percorreu de forma autônoma 5,5 Km em São Carlos. Nesse mesmo ano, o grupo de pesquisadores iniciou outro projeto para o desenvolvimento de caminhões autônomos em parceria com a empresa sueca Scania. Em 2015, o caminhão totalmente autônomo foi demonstrado publicamente. Ambos são resultados bastante significativos nessa área de trabalho. Agora, a equipe vem fazendo testes no CaRINA a fim de fazer uma demonstração pública do serviço de táxi autônomo em meados de outubro.

3) Como funcionará este serviço?

A ideia é que a pessoa possa chamar o táxi autônomo pelo celular, por meio de um aplicativo que estamos fazendo, e que o carro o leve ao seu destino dentro da Universidade – indicado por comando de voz ou apontado em uma tela de computador no interior no carro. Em seguida, o automóvel deverá retornar ao local onde estava estacionado para aguardar o próximo passageiro.

4) Quais são as tecnologias utilizadas em um carro autônomo?

O controle do veículo autônomo é composto por três sistemas principais: percepção, processamento e atuação. Utilizando uma combinação de informações de sensores GPS, com mapas do ambiente por onde irá circular e lasers, o CaRINA consegue estimar sua localização em vias urbanas, identificar obstáculos como pedestres, árvores e outros veículos, e seguir a sinalização do trânsito. Além dos sensores, é preciso que programas de computador interpretem os dados dos sensores para obter informações detalhadas sobre o ambiente.

5) Qual a importância da pesquisa e possíveis aplicações?

O intuito do projeto é diminuir o número de acidentes em ruas e rodovias, permitir a mobilidade de idosos e portadores de necessidades especiais, reduzir o consumo de combustível e a aumentar eficiência do trânsito em geral. A tecnologia utilizada no veículo pode também auxiliar a condução de uma pessoa, notificando situações de risco e sugerindo ou executando manobras para evitar acidentes.

6) Qual  a relevância  da robótica no Brasil?

A Robótica tem um enorme potencial em diversas aplicações práticas. Robôs podem ser usados para tarefas simples, como limpar a casa ou cortar a grama, ou em tarefas complexas, como o uso de máquinas autônomas terrestres e aéreas em aplicações de defensivos agrícolas.

7) Como o Senhor avalia os cenários, brasileiro e internacional, dos Vants? O que a sociedade e a indústria podem esperar dessas pesquisas?

Os Vants têm um potencial muito grande nas áreas agrícolas, segurança e defesa. Eles podem ser utilizados na aplicação de defensivos no campo, na monitoração das fronteiras, detecção de desmatamentos etc. Apesar de pesquisadores brasileiros estarem obtendo resultados significativos nessas áreas, é fundamental que mais atenção e investimento sejam aplicados para o desenvolvimento dessa tecnologia no nosso País. Caso contrário, em pouco tempo teremos que importar soluções, as quais terão um custo alto e não necessariamente apropriadas às nossas condições.

8) Como os jovens podem participar e contribuir com a robótica?

Muitas escolas de ensino fundamental e médio já possibilitam o contato dos alunos com a robótica, o que é muito importante para o desenvolvimento de futuros pesquisadores, engenheiros e técnicos na área. Frequentemente, são ministrados cursos abertos nas universidades, para aqueles que têm interesse em saber mais sobre o assunto. Por fim, universitários nas áreas de computação, eletrônica e mecatrônica podem participar de projetos na área de robótica em suas instituições de ensino.

9) Não é de hoje que cientistas defendem a ideia de que o conhecimento precisa ser difundido de forma livre para que a sociedade possa apropriar-se dele. Como o senhor avalia a divulgação do conhecimento científico no Brasil?

Pessoalmente, eu acho que a divulgação e difusão do conhecimento são um dos principais papéis de uma universidade. Não só entre os alunos matriculados, mas também para a comunidade em geral. Atualmente, com o uso da internet, existem diversas formas de disponibilizar e divulgar esse conhecimento de forma livre, gratuita e facilmente acessível. Isso deve ser estimulado cada vez mais no meio acadêmico. Certamente, é fundamental estimular crianças e jovens para que no futuro o país conte com pesquisadores e engenheiros que colaborarão para o desenvolvimento científico e tecnológico do país.

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Última modificação em Terça, 01 Outubro 2019 16:32

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